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23h. As pessoas começam a se aglomerar na frente do palco. Vai começar mais uma atração da noite.
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Nos braços de um dos seguranças, chega a rainha do espetáculo. Baixinha, 85 anos, cabelos bem branquinhos. Ela senta em seu trono vermelho armado minutos antes, veste sua roupa de rainha e testa do microfone. “Crianças, eu quero ver vocês dançando bem bonito hoje pra alegrar o pessoal”. Dona Teté mais que incentiva: ela mostra aos dançarinos que gente é pra brilhar.
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O toque das caixas começa e como se estivessem encantados pelo som, os dançarinos caem no remelexo. Com sorrisos largos eles soltam o corpo ora rodopiando, ora dançando colado numa sensualidade infinita. Vai dizer a ela que é sem-vergonhice, vai! “Quem não pode não emprenha”, é o que ela certamente vai responder.
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Quase meia noite. Os dançarinos derretem na noite quente de São Luís. As luzes coloridas do palco refletem nas lantejoulas e no suor dos brincantes.
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No balanço do Chapéu de Lenha, a platéia é convidada a entrar na brincadeira. Assim termina o espetáculo: todos dançando o cacuriá observados pela rainha que sorri dizendo: “vamos dançar cacuriá, crianças. Dançando bonito, gente, é assim que eu gosto”.
*Por Carulhina